Baixada de Jacarepaguá PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rodrigo   
Qua, 11 de Outubro de 2006 22:13

A Baixada de Jacarepaguá, localizada ao sul do município do Rio de Janeiro, está compreendida entre as latitudes 22o55’S e 23o03’S e as longitudes 43o30’W e 43o18’W.

É delimitada pelos maciços montanhosos da Tijuca à leste, da Pedra Branca à oeste e pelo Oceano Atlântico ao sul, abrangendo a área da ponta da Joatinga até a Prainha, passando pela Serra dos Pretos Forros e demais elevações.

Até a metade do século XIX, a Baixada de Jacarepaguá podia ser considerada como subúrbio. Hoje ela surge integrada à Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao longo de todo esse período, destacam-se tanto a formação dos espaços de moradia quanto as transformações da paisagem rural, que vai adquirindo características urbanas sem, porém, perder de todo o charme e a beleza naturais.

A toponímia e a geomorfologia da Baixada de Jacarepaguá conservam ainda a memória do tempo em que a região era ocupada pelas tribos tupis, além da preservação de seus espécimes raros de fauna e vegetação. O próprio nome Jacarepaguá em tupi significa lagoa rasa dos jacarés, de yakaré + upá (lagoa) + guá (baixa, rasa). Mesmo nos locais mais densamente ocupados é registrada a presença de pássaros nativos como a rolinha, o beija-flor preto, as garças, o bem-te-vi, o sabiá-laranjeira ou a cambaxirra. O pombo doméstico, o pardal e o biquinho-de-lacre, trazidos com a colonização, estão adaptados e são numerosos. A região conta com áreas preservadas como, por exemplo, o Bosque da Freguesia.

A cultura do açúcar trouxe a construção de benfeitorias e capelas nos engenhos coloniais nos séculos XVI e XVII. As festas religiosas e procissões induziram a construção das numerosas igrejas e capelas, como a da Nossa Senhora do Loreto e a da Nossa Senhora da Pena, visitadas de quando em quando pela própria Imperatriz na época de D. Pedro II. Ainda hoje são elas marcos arquitetônicos do bairro.

Os elementos da arquitetura do passado de Jacarepaguá constituem hoje um patrimônio valioso da cidade do Rio de Janeiro. Exemplos desse passado tão presente são a sede do Engenho d'Água, na Cidade de Deus, com seu notável jogo de varandas, e o aqueduto do antigo Engenho Novo, hoje Colônia Juliano Moreira.

A partir do século XIX a região surgia como periferia da Corte, fato que gerou o aparecimento das grandes propriedades, onde o café florescia nas terras altas da Freguesia, Itanhangá e estrada velha de Jacarepaguá.

Entre os vários distritos de Jacarepaguá, destacamos o bairro da Freguesia. Ponto final de uma das duas linhas de bonde de Jacarepaguá, a Freguesia foi durante muito tempo conhecida como a antiga Porta d'Água: o nome designava um dos três rios que ali se encontram e acabaram por dar o nome a uma das estradas principais da localidade.

A influência da Freguesia se estendeu por uma área ampla e variada: a vizinhança do Engenho d'Água, pelo caminho do portinho da Gabinal, a Estrada dos Três Rios e as vertentes da serra do mesmo nome, a parte mais alta da Estrada do Pau Ferro, e a localidade do Anil, na Estrada Velha, que ligava a Freguesia ao Itanhangá, às ilhas das lagoas costeiras e às praias da Barra da Tijuca, esta última também chamada Restinga de Jacarepaguá.

Como em outros bairros da cidade, a extensão das linhas de bondes, eletrificados a partir de 1911, gerou crescimento econômico e populacional, favorecendo a formação de uma classe média do bairro. O processo do parcelamento das grandes propriedades, a procura do bairro de Jacarepaguá para abrigar numerosas clínicas e hospitais e o surgimento das residências foram contribuindo para as suas feições atuais.

É justamente a partir da segunda metade do século XX que se observa de que modo o "sertão" se transforma em bairro com características de Zona Sul, após a implantação das várias vias de acesso á região.

Fonte: VIANNA, Hélio. Baixada de Jacarepaguá: sertão e "Zona Sul". Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esporte: Departamento Geral de Patrimônio Cultural, 1992.

 

Algumas informações sobre Jacarepaguá


Por volta de 1950 havia cerca de 70 mil pessoas vivendo em Jacarepaguá. Com a descoberta da Barra da Tijuca a região cresceu bastante. Jacarepaguá tem, hoje, 800 mil habitantes, população maior que muitas grandes cidades do mundo. Ottawa, no Canadá, tem 850 mil habitantes (e apenas um assassinato no último ano).

Existem explicações para os nomes incomuns que batizam praças e ruas de Jacarepaguá.

O "Largo do Tanque" por exemplo, teve motivo para ganhar esse nome. No final do século XIX havia grande circulação de bondes com tração animal pela região e esse local fazia parte do trajeto entre a "Porta D'Água", na Freguesia, e a Taquara. Por isso, em 1875, foi construído um grande reservatório para cavalos e burros matarem a sede. Desde então, passou a ser chamado de Largo do Tanque.

O Largo da Pechincha também tem o seu sentido. Segundo antigos moradores, seu nome faz referência a um mercado em que habitantes do local ofereciam seus produtos com preços baixos para concorrer com o comércio das vizinhas Taquara e Freguesia.

Já a Praça Seca, nada tem a ver com o clima e, sim, com uma homenagem feita aos Viscondes de Asseca, descendentes do Governador Salvador Correia de Sá e Benevides, fundador da região. Um ponto de bifurcação no local foi denominado "Largo de Asseca" e, tempos depois, quando virou praça, houve supressão das duas primeiras letras por parte dos moradores e o nome ficou "Praça Seca".

O Autódromo de Jacarepaguá foi construído em 1960, mas demorou 18 anos para receber a primeira corrida de Fórmula 1. Na estréia da pista, no dia 29 de janeiro de 1978, o argentino Carlos Reutemann foi o vencedor e o brasileiro Emerson Fittipaldi chegou em segundo lugar. Com a expansão da Barra da Tijuca o autódromo, assim como o Aeroporto de Jacarepaguá, hoje são considerados como pertencendo à Barra da Tijuca.

Fonte de consulta: O GLOBO - BARRA - 27/10/02

Última atualização ( Sex, 19 de Dezembro de 2008 11:36 )
 

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